Em 1942, a Companhia Vale do Rio Doce instalou-se em Itabira. Naquele tempo, a cidade era conhecida apenas como a terra natal de Drummond. Com a chegada da estatal no município, tudo começou a mudar e Itabira iniciou sua fase de crescimento.
Quem visita o município hoje nota que, além da beleza da cidade, o itabirano tem um jeito carinhoso de acolher os turistas, seja com um aceno de mão, um toque na buzina do carro ou simplesmente um sorriso de boas vindas.
Com o passar dos anos, Itabira se desenvolveu muito e ocupa hoje o 8º lugar em arrecadação no estado de Minas Gerais. Sua economia é voltada para a mineração e 83% da sua receita, advém do minério de ferro, daí, a grande importância da presença da Vale no cenário itabirano.
A Companhia Vale do Rio Doce deixou de ser estatal há alguns anos, mas mesmo depois de privatizada, ela continua contribuindo para a economia de Itabira. Recentemente, a empresa descobriu que ainda poderá explorar o minério na região por mais setenta ou oitenta anos, o que garante o suporte da economia itabirana por um bom tempo ainda.
A mineradora emprega hoje cerca de dois mil funcionários diretos e cerca de também dois mil indiretos, através dos chamados serviços terceirizados.
Neste ano, Itabira é a 4ª cidade geradora de empregos formais no Estado e sua taxa de desemprego atinge apenas 9% da população.
"Até o ano 2000, se você perguntasse para os moradores se acreditavam no futuro de Itabira, ficariam em dúvida. Naquele tempo, havia muitas lojas fechadas e muita oferta de aluguel residencial. Hoje a economia da cidade mudou", disse Cácio Duarte Guerra, secretário municipal de desenvolvimento econômico da cidade. Segundo ele, o governo municipal tem atraído novos investimentos para a cidade, incentivando a abertura de novas empresas e gerando empregos para os itabiranos. O secretário disse ainda que pessoas com qualificação profissional têm sempre uma oportunidade de trabalhar no município. Ele também informou que nos últimos meses, duas empresas da Capital se instalaram em Itabira, gerando mais de 400 empregos diretos. Estas empresas têm alguma ligação com a Vale. Elas estavam instaladas no Distrito Industrial Jatobá, em Belo Horizonte, sofrendo freqüentes assaltos. "Itabira, portanto, as oferece maior segurança e, consequentemente, melhor qualidade de vida", disse o secretário.
Como alternativas de crescimento, Itabira criou o Parque Tecnológico, que tem uma área de 48 mil m2, oferecendo incentivos fiscais para as empresas que desejarem se instalar no município. Itabira não pode isentar essas empresas do ISS, em contrapartida, as empresas da área tecnológica que ali se instalarem, terão isenção de todos os impostos municipais durante cinco anos e pagarão apenas 3,6% de ICMS, ao invés dos 18%, cobrados normalmente.
O município conta também com o Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social de Itabira (Fundesi), que é destinado a promover investimentos, através da implementação de empreendimentos produtivos no segmento industrial, centros comerciais e empresariais, base tecnológica, etc. Este fundo dá prioridade para as micro, pequenas e médias empresas.
A partir de 1990, Itabira transformou-se em polo educacional. A cidade conta com uma conceituada instituição de ensino superior, a Faculdade Comunitária, que oferece 14 cursos de graduação. Hoje, o município é também um polo industrial, mantendo em alta seu nível de crescimento.
Não bastasse todo o empenho do governo municipal em prol do desenvolvimento da cidade, criou-se ali em 1998, os Caminhos Dummondianos, que retratam alguns poemas de Carlos Drummond de Andrade em 45 placas instaladas em pontos estratégicos. Somente a partir de 2002 o percurso foi divulgado e desde então recebe inúmeros visitantes que buscam um contato mais direto com as obras do ilustre poeta.
No que tange à hospedagem, Itabira dispõe de vários hotéis e pousadas, garantindo ao visitante uma ótima estada na cidade. O Hotel Itabira destaca-se entre eles por estar instalado em um dos casarões do centro antigo da cidade, estando à serviço dos visitantes há mais de sessenta anos. Durante a semana, a ocupação dos hotéis é alta, devido ao grande fluxo de pessoas que vão ali a trabalho. Já nos finais de semana, a vez é dos turistas.
Segundo Dário Dias Duarte, de 69 anos, morador de Itabira há 41 anos, a cidade teve a oportunidade de crescer graças à Vale do Rio Doce. Não fosse ela, o município teria parado no tempo.
Como se vê, Itabira não é simplesmente uma cidadezinha do interior. Ela é uma pequena cidade que se destaca pela grandiosidade do seu povo que, unido, busca a cada dia galgar melhorias e desenvolvimento que possam beneficiar a todos.
Matéria produzida após uma viagem técnica à Itabira no final de 2004, excursão da qual participaram 200 alunos do curso de jornalismo da Estácio.
Disciplina: Economia
Professora: Níldred Martins
O maior trem do mundo
leva minha terra para a Alemanha,
leva minha terra para o Canadá,
leva minha terra para o Japão.
O maior trem do mundo,
puxado por cinco locomotivas à óleo diesel,
engatadas, geminadas, desembestadas.
Leva meu tempo, minha infância, minha vida
triturada em 163 vagões de minério destruição.
O maior trem do mundo,
transporta a coisa mínima do mundo.
Meu coração itabirano.
Lá vai o maior trem do mundo,
vai serpenteando, vai sumindo
e um dia, eu sei, não voltará.
Pois nem terra nem coração existem mais.
"Carlos Drummond de Andrade"